A bipolaridade é um transtorno mental que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e ainda é cercada por mitos e desinformação. Caracterizada por alterações significativas de humor, energia e comportamento, a condição pode impactar relacionamentos, desempenho profissional e qualidade de vida quando não identificada e tratada adequadamente.
De acordo com a psiquiatra Maria Isabel Nestarez, a compreensão correta do transtorno é fundamental para reduzir o estigma e incentivar a busca por ajuda especializada.
“A bipolaridade não se resume a mudanças de humor comuns do dia a dia. Trata-se de uma condição médica que provoca diferentes fases clínicas, que podem variar entre episódios de depressão, hipomania, mania, mania psicótica e episódios mistos, além de períodos de estabilidade emocional”, explica a especialista.
Segundo a médica, a doença possui importante componente genético. Pessoas com histórico familiar de transtorno bipolar apresentam maior risco de desenvolver a condição, embora fatores ambientais e situações de estresse também possam influenciar o surgimento e a evolução dos sintomas.
Um dos principais desafios está no diagnóstico. Muitas vezes, os sintomas iniciais podem ser confundidos com depressão, ansiedade ou até características da personalidade, atrasando o tratamento correto. Em muitos casos, o paciente procura ajuda durante uma fase depressiva, sem perceber que já apresentou episódios de elevação do humor anteriormente.
Entre as fases do transtorno bipolar, a depressão costuma ser marcada por tristeza intensa, desânimo, perda de interesse pelas atividades habituais, alterações no apetite, dificuldades de concentração e, em alguns casos, pensamentos de morte. Já a hipomania caracteriza-se por aumento da energia, maior produtividade, redução da necessidade de sono e sensação de bem-estar exagerada, sem prejuízos graves da percepção da realidade.
Na mania, os sintomas tornam-se mais intensos, podendo incluir euforia excessiva, impulsividade, agitação, aceleração dos pensamentos, gastos excessivos e comportamentos de risco. Nos quadros mais graves, pode ocorrer a chamada mania psicótica, quando surgem delírios e alterações importantes da percepção da realidade.
Também existem os episódios mistos, nos quais sintomas de depressão e mania podem ocorrer simultaneamente, tornando o quadro mais complexo e aumentando o sofrimento emocional do paciente. Entre as crises, muitos indivíduos passam por períodos de estabilidade, nos quais conseguem manter suas atividades e relacionamentos de forma equilibrada.
A psiquiatra ressalta que, embora a bipolaridade seja uma condição crônica, existem tratamentos eficazes capazes de proporcionar estabilidade emocional e bem-estar. “Com acompanhamento médico, uso adequado de medicação quando indicada e suporte psicoterapêutico, a maioria dos pacientes consegue levar uma vida produtiva, saudável e com boa qualidade de vida”, afirma.

Além do tratamento medicamentoso e psicoterapêutico, hábitos de vida saudáveis desempenham papel fundamental no controle da doença. A manutenção de uma rotina regular, horários consistentes para dormir e acordar, prática frequente de exercícios físicos e cuidados com a qualidade do sono ajudam a reduzir oscilações de humor e favorecem a estabilidade emocional.
O apoio familiar e a informação de qualidade também desempenham papel importante no controle da doença. A especialista destaca que reconhecer os sintomas precocemente pode evitar crises mais graves e reduzir impactos sociais, emocionais e profissionais.
A conscientização sobre a bipolaridade ganha relevância diante do aumento dos debates sobre saúde mental. Para Maria Isabel Nestarez, ampliar o acesso à informação é uma ferramenta essencial para combater preconceitos e estimular o cuidado. “Falar sobre saúde mental de forma responsável ajuda a promover acolhimento, diagnóstico precoce e adesão ao tratamento”, conclui.
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