Doença ocular progressiva e muitas vezes silenciosa no início, o ceratocone afeta principalmente jovens e pode comprometer de forma significativa a visão se não for diagnosticado e tratado adequadamente. Caracterizado pelo afinamento e pela deformação da córnea — que passa de um formato arredondado para uma forma cônica — o problema provoca visão embaçada, distorcida e aumento irregular do grau.
Segundo a médica oftalmologista Dra. Lara Murad (CRM 52-76168-0), especialista em córnea e segmento anterior, o ceratocone exige atenção desde os primeiros sinais. “Muitos pacientes chegam ao consultório após trocas frequentes de óculos, dificuldade para enxergar à noite ou intolerância às lentes de contato comuns. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de estabilizar a doença e preservar a visão”, explica.
Com mais de 20 anos de experiência em oftalmologia, é especialista em córnea e segmento anterior em Bordeaux, na França, a Dra. Lara destaca que o avanço tecnológico transformou o manejo do ceratocone nos últimos anos.
Tratamentos modernos e personalizados
Hoje, o tratamento do ceratocone é individualizado e depende do estágio da doença. Em fases iniciais, óculos ou lentes de contato especiais podem oferecer boa qualidade visual. ‘Hoje existem lentes muito tecnológicas e que permitem conforto e excelente qualidade visual para esses pacientes’.
Em casos de progressão, o crosslinking corneano tornou-se um dos principais aliados para interromper a evolução da doença, fortalecendo as fibras da córnea. ‘Essa foi uma grande mudança no prognóstico e uma verdadeira revolução na condução do ceratocone’ ressalta a especialista.
Em estágios mais avançados, procedimentos cirúrgicos, como o implante de anéis intracorneanos ou, em casos extremos, o transplante de córnea, podem ser necessários. “A boa notícia é que hoje conseguimos postergar — e na maioria das vezes evitar — o transplante graças aos tratamentos atuais”, afirma a médica.
Informação e acompanhamento fazem a diferença
A Dra. Lara Murad, que também atua como speaker e ministra aulas com foco em córnea, olho seco e superfície ocular, reforça a importância da informação e do acompanhamento regular com o oftalmologista. “O ceratocone não tem cura, mas tem controle. O conhecimento do paciente sobre a doença é parte fundamental do sucesso do tratamento.”
Com o avanço das tecnologias diagnósticas e terapêuticas, o cenário para quem convive com ceratocone é cada vez mais promissor. A mensagem dos especialistas é clara: ao menor sinal de alteração visual, procurar avaliação oftalmológica pode mudar completamente o futuro da visão.