Carnaval e mergulhos em águas rasas: um risco silencioso para a coluna e o cérebro

Vinícius Araújo Fernandes
4 Min Read

Neurocirurgião alerta para acidentes graves que aumentam no verão e podem causar sequelas permanentes

O Carnaval coincide com o auge do verão brasileiro, período marcado por praias cheias, piscinas lotadas e rios bastante frequentados. Nesse cenário, um hábito comum e aparentemente inofensivo se transforma em uma das principais causas de acidentes neurológicos graves: o mergulho em águas rasas. No Rio de Janeiro, onde o fluxo de turistas e moradores nas áreas costeiras cresce significativamente nessa época, os atendimentos por traumas na coluna cervical e no cérebro costumam aumentar.

O neurocirurgião Dr. Jackson Daniel Sousa Silva, membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), explica que esses acidentes acontecem, em grande parte, por imprudência e desconhecimento do risco. “Um único mergulho mal calculado pode mudar a vida de uma pessoa em segundos. Lesões na coluna cervical podem levar à tetraplegia ou até à morte”, alerta.

A seguir, sete pontos fundamentais para entender os riscos e saber como se proteger durante o Carnaval.

1. Mergulho em água rasa é uma das principais causas de lesão cervical
Ao bater a cabeça no fundo, o impacto é transmitido diretamente para a coluna cervical. “As vértebras do pescoço são responsáveis por proteger a medula espinhal. Um trauma nessa região pode causar lesões irreversíveis”, explica o especialista.

2. Piscinas, rios e lagoas também oferecem perigo
Não são apenas as praias que representam risco. Piscinas residenciais, cachoeiras, rios e lagoas têm profundidade variável. “A pessoa entra confiante, mas não conhece o local. Basta um erro de cálculo para ocorrer o trauma”, afirma Dr. Jackson.

3. Álcool aumenta significativamente o risco de acidentes
Durante o Carnaval, o consumo de bebida alcoólica é comum e está diretamente associado aos mergulhos imprudentes. “O álcool reduz reflexos, percepção de profundidade e capacidade de julgamento. Isso eleva muito a chance de acidentes graves”, alerta o neurocirurgião.

4. Lesões podem ser fatais ou deixar sequelas permanentes
Traumas na coluna cervical podem provocar paralisia dos braços e pernas, perda de sensibilidade e comprometimento respiratório. “Em casos mais graves, a lesão medular impede até movimentos básicos e exige cuidados para o resto da vida”, explica.

5. Nem sempre há dor intensa no primeiro momento
Um erro comum é subestimar o acidente quando a dor inicial parece leve. “Às vezes o paciente consegue sair da água, mas já sofreu uma fratura ou lesão neurológica. Movimentar o pescoço nessas condições pode agravar muito o quadro”, orienta o médico.

6. Em caso de acidente, a imobilização é fundamental
Se alguém bater a cabeça ao mergulhar, não deve ser movimentado. “A orientação é manter a pessoa imóvel, com a cabeça alinhada, e acionar o resgate imediatamente. Qualquer movimento pode piorar a lesão da medula”, reforça Dr. Jackson Daniel Sousa Silva.

7. A prevenção ainda é a melhor estratégia
Evitar mergulhos de cabeça, testar a profundidade da água e respeitar placas de sinalização são atitudes simples que salvam vidas. “Se não conhece o local ou não vê claramente o fundo, não mergulhe. A diversão do Carnaval não pode custar a saúde ou a vida”, conclui o neurocirurgião.

Durante o Carnaval, a combinação de calor, álcool e excesso de confiança cria um cenário perigoso. Informação e prudência são essenciais para que a folia termine apenas em boas lembranças, e não em sequelas permanentes.

Share this Article
Leave a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *