Cobrar barato pode custar caro no setor de beleza e comprometer imagem e lucro

Vinícius Araújo Fernandes
6 Min Read

Estratégia baseada em preço atrai público sensível a desconto, reduz margem e dificulta crescimento sustentável no longo prazo

Cobrar menos para atrair clientes tem sido uma estratégia recorrente no setor de beleza, mas o efeito costuma ser inverso: profissionais lotam a agenda, aumentam o volume de atendimentos e ainda assim não conseguem gerar lucro consistente. O setor movimenta mais de R$ 130 bilhões por ano no Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o que amplia a concorrência e exige diferenciação clara.

Para Saulo Abrahão, especialista em gestão para negócios da beleza, o problema começa quando o preço se torna o principal argumento de venda. “Quem vende só por preço será trocado por qualquer preço menor. O profissional deixa de ser escolhido pela qualidade e passa a ser comparado apenas pelo valor”, afirma.

Na rotina dos estúdios, o impacto aparece rapidamente. Muitos profissionais atendem o dia inteiro, mantêm a agenda cheia e, ainda assim, terminam o mês sem sobra financeira. A falta de estratégia na precificação transforma produtividade em desgaste. “Agenda cheia sem lucro é só cansaço organizado. Preço mal definido transforma talento em exaustão”, diz.

O valor cobrado também influencia diretamente a percepção do cliente. Em serviços ligados à imagem, autoestima e segurança, preço funciona como um sinal de qualidade. Quando está muito abaixo do esperado, pode gerar desconfiança e afastar o público mais qualificado. “Cliente bom não busca o menor preço. Busca confiança”, explica.

O efeito se prolonga no médio prazo. Profissionais que entram no mercado cobrando barato enfrentam dificuldade para reajustar valores e migrar para um público mais estratégico. Com o tempo, ficam presos a uma base sensível a desconto, o que limita margem e crescimento.

Cinco estratégias para valorizar seus procedimentos e parar de competir por preço

A construção de um negócio sustentável passa por decisões que vão além da técnica. Antes de definir qualquer valor, é necessário estruturar percepção, experiência e posicionamento de forma consistente.

  1. Posicione-se antes de precificar
    Definir como quer ser reconhecido no mercado orienta público, comunicação e estratégia. Sem esse direcionamento, o desconto vira saída recorrente. “Preço é consequência de posicionamento”, afirma.
  2. Faça o cliente sentir valor em cada etapa
    Do primeiro contato ao pós-atendimento, tudo comunica valor. Organização, ambiente, atendimento e consistência aumentam a disposição do cliente em investir mais.
  3. Saiba exatamente quanto custa atender
    Preço sem cálculo é prejuízo disfarçado. Materiais, tempo, estrutura, impostos, equipe e capacitação precisam estar embutidos para garantir margem e sustentabilidade.
  4. Construa autoridade visível
    Resultados reais, depoimentos e presença digital consistente aumentam a confiança e reduzem a sensibilidade ao preço. “Quando o cliente percebe valor, ele questiona menos”, diz.
  5. Pare de vender preço e comece a vender transformação
    Clientes não compram apenas o procedimento. Buscam autoestima, segurança e resultado. Quando isso fica claro, o valor deixa de ser o centro da decisão.

No fim, o erro mais comum está em confundir movimento com resultado. Negócios rentáveis não crescem pela quantidade de clientes, mas pela qualidade da margem e pela consistência financeira. “Quando o profissional entende isso, ele para de disputar preço e passa a construir valor”, conclui.

Sobre Saulo Abrahão

Saulo Abrahão é empresário e mentor, fundador do Método Voe Alto. Iniciou sua trajetória no setor da beleza em 2014 e transformou um salão de 60m² no DUO+, operação que hoje supera R$ 6 milhões de faturamento anual.

A partir da experiência prática, desenvolveu um método estruturado em mentalidade, gestão, liderança e tração, voltado à profissionalização de donos de salão que buscam crescimento organizado e previsibilidade financeira.

Para saber mais, acesse: Instagram ou pelo site.

Sobre o Beauty Society

O Beauty Society é um ecossistema empresarial da área da beleza fundado por Saulo Abrahão e Luiz Ferraz. O grupo integra operação prática, formação estratégica e excelência técnica em um modelo estruturado de crescimento e profissionalização do setor.

A empresa nasceu a partir da consolidação do DUO+, salão conceito em São Paulo com 600m² de estrutura e faturamento anual superior a R$ 6 milhões. Da vivência prática surgiu o Método Voe Alto, braço educacional voltado à formação de empresários da beleza com foco em gestão, liderança e crescimento sustentável.

Para saber mais, acesse: Instagram DUO+, Instagram DUO+ Clinic, LinkedIn ou pelo site.

Fontes de pesquisa

Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec)
 https://abihpec.org.br/publicacoes/panorama-do-setor/

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